Amamentação nos primeiros 6 meses do bebê afasta o risco de infecções

Amamentação nos primeiros 6 meses do bebê afasta o risco de infecções

Rodrigo Craveiro

Publicação: 01/10/2010 08:00

Vanessa e a pequena Sophia: nem a dor fez a professora desistir da amamentação contínua. Hoje, comemora que a filha não teve sequer resfriados - (Arquivo Pessoal )  
Vanessa e a pequena Sophia: nem a dor fez a professora desistir da amamentação contínua. Hoje, comemora que a filha não teve sequer resfriados

A professora de educação física Vanessa dos Santos Lioneza quase pensou em desistir. No começo, foi complicado. “Tive rachaduras nos seios. Chorava de dor. Precisei muitas vezes tirar o leite com uma bombinha e colocar na chuquinha. Mas não queria desistir, e sofria muito”, conta a carioca de 25 anos, mãe de Sophia, hoje com 1 ano e 1 mês. Durante os seis primeiros meses de vida da filha, Vanessa persistiu e alimentou-a apenas com leite materno. Sophia bem que poderia compor o resultado de uma pesquisa elaborada do outro lado do mundo, na Grécia. Emmanouil Galanakis, professor de doenças infecciosas pediátricas da Universidade de Creta, descobriu que apenas a amamentação exclusiva afasta o risco de o bebê contrair infecções. “Graças a Deus, minha filha nunca teve nada, nem resfriado. Só depois que começou a comer outras coisinhas é que teve resfriadinhos simples”, relata.

Em entrevista por e-mail ao Correio, Galanakis conta que o aleitamento exclusivo por seis meses protege o bebê durante o primeiro ano de vida, principalmente contra infecções do trato respiratório, otite aguda, estomatite e afta. “Nós escolhemos estudar os efeitos da amamentação por seis meses, porque essa é a recomendação da Organização Mundial de Saúde”, observa o autor da pesquisa publicada pela revista científica Archives of Diseases in Childhood.

Galanakis e seus colegas estudaram 1.049 mães e seus bebês, nascidos entre outubro e dezembro de 2004 e entre abril e julho de 2005. Dessa amostra, 926 pares foram acompanhados por 12 meses. “Todas as mães foram submetidas a uma entrevista inicial ainda na maternidade e depois contatadas por telefone pelo mesmo investigador, 30, 90, 180, 270 dias e um ano após o parto”, explica o especialista. As mulheres respondiam sobre amamentação, visitas ao pediatra, idas ao hospital e informavam episódios de doenças em seus filhos. “Nossos resultados claramente sugerem que é a amamentação exclusiva que ajuda, não o complemento do aleitamento materno com outro tipo de leite”, explica.

Hipóteses
A enfermeira carioca Clarissa Moraes de Sousa Bottari, 31 anos, também é uma evidência de que Galanakis pode estar certo. Pietro, hoje com 1 ano, teve um resfriado de curta duração aos 5 meses. “Ele era um bebê de baixo peso, tinha 2,9kg com 1 mês. Nunca dei leite artificial, só meu leite, no peito, e Pietro não adoeceu”, comemora. Ela não tem dúvidas de que a saúde do filho deve-se à amamentação exclusiva. “O leite materno é rico em anticorpos, que não existem em nenhuma fórmula comercializada”, acrescenta.

O especialista da Universidade de Creta ainda não sabe ao certo como funciona o mecanismo protetivo do leite materno, mas acredita em respostas simples, que coincidem com a sugestão de Clarissa. “Substâncias como anticorpos presentes no leite materno desempenham um grande papel, mas muitos fatores parecem interferir”, afirma. Ele cita, como exemplo, o fato de o aleitamento via mamadeira ser suscetível a um aumento na exposição a patógenos ou a alterações na flora microbiana do intestino da criança. “Além disso, bebês alimentados com mamadeiras são seguros em uma posição diferente, com o ventre voltado para cima. Isso facilita a passagem de patógenos para o ouvido médio e o desenvolvimento de otite”, comenta Galanakis. “É óbvio que não podemos subestimar os efeitos psicológicos da amamentação para o bebê. A amamentação não é apenas o leite materno, é muito mais”, acrescenta.

Pesquisa
O que os cientistas perceberam em relação aos benefícios do aleitamento materno sem misturas com alimentação complementar:

Amostragem
Os cientistas acompanharam 926 bebês nascidos na Ilha de Creta, na Grécia, entre outubro de 2004 e julho de 2005

Metodologia
Eles aplicaram questionários às mães no dia do parto. A técnica foi repetida no primeiro, no terceiro, no sexto, no nono e no 12º mês após o nascimento. Os cientistas rastrearam sinais de infecções nos bebês no primeiro ano de vida

Cuidados
Todos os bebês tiveram acesso a cuidados médicos de alto nível e receberam todas as vacinas de rotina

Mães
Os pesquisadores descobriram que quase dois terços das mães amamentaram um mês e apenas 17% praticavam o aleitamento por seis meses. Apenas uma em 10 era adepta da amamentação
exclusiva por esse período

Conclusões
Os resultados mostraram que quanto mais tempo os bebês eram alimentados exclusivamente ao peito, menor a taxa de infecções e menos frequentes as visitas ao pediatra. Os 91 bebês que receberam apenas leite materno por seis meses tiveram redução significativa nas infecções de ouvido e respiratórias agudas, e episódios mais raros de afta, em comparação com as crianças que tiveram complemento alimentar ou que não foram amamentadas

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