Informação para um parto seguro

Olha a Pati Merlin da Parto do Princípio falando!

Informação para um parto seguro

Meses atrás encontrei Ana Maria na feirinha do mercado. Ela exibia uma barriga linda de final de gestação e foi impossível não perguntar a data provável do nascimento, bem como seus planos para o parto. Ela se limitou a dizer que tentaria o parto normal, sorriu meio sem graça e continuou escolhendo suas maçãs. Entendi a atitude como uma forma de não estender o assunto e de não expôr seus planos ou sentimentos.
Hoje nos encontramos novamente, no mesmo lugar. Ela com o bebê acomodado no carrinho do mercado e o ar cansado típico das recém mães, afinal ninguém espera pela canseira que é ter um bebê tão novinho em casa, pelas noites insones e dificuldades com a amamentação. Felizmente pra isso tudo tem solução, basta buscar o apoio certo.
Perguntei sobre o nascimento e não recebi com surpresa a resposta da “circular de cordão, que nos deixou aflitos e para a qual o médico deu como solução a realização de uma cesárea”. Neste momento lamentei muito não ter esticado o assunto no outro encontro, talvez pudesse ter explicado a ela que circular de cordão e outros diagnósticos muito comuns nos dias de hoje, não são indicação de cesárea. Seu olhar era de resignação.
Encontros assim são comuns pra mim e eu raramente me estendo quando percebo que a mulher não quer falar sobre o parto. A experiência contribui pra que a gente logo perceba onde existe mais medo do que fé, mais achismos do que informação, mais crença no médico do que em sí mesma.

Presença e consciência
Quando a mulher quer eu aproveito pra falar de partos lindos, da beleza do nascimento, de como é encantador presenciar uma mulher trabalhando para trazer seu filho ao mundo, de como é possível fazer do parto um momento vibrante, feliz, onde a mulher esteja presente, consciente e ativa.
A maioria das mulheres se surpreende com o fato de que não é só querer o parto pra que ele aconteça. No sistema vigente conta mais a vontade do médico do que a da mulher. Elas se surpreendem com o fato do médico não ter tocado no assunto parto até o 8º mês de gestação e só se dão conta disso quando ouvem quantas coisas é preciso saber e conhecer pra que no dia “P” (de parto), ela seja a protagonista, que não seja enganada com diagnósticos míticos (como o da circular de cordão), pra que ela se sinta segura, pra que compreenda o processo pelo qual está passando. A maioria acredita que é só chegar lá e parir.
Informação é poder. Quanto mais sabemos sobre um assunto, mais segurança e propriedade temos para decidir que caminhos devemos seguir. Uma mulher que não se informa sobre o parto como ele é (e não como os filmes, novelas e médicos tendenciosos à cesárea gostam de retratar) não tem condições de fazer escolhas. Querer parir somente, não basta. Não é qualquer parto que é bom.
Preparação de corpo e alma

Parto bom é aquele onde a mulher está segura, tranquila, amparada. É aquele onde ela pode contar com a presença do marido ou do acompanhante que ela escolher, de uma doula ou de outros profissionais que podem trazer alívio para a dor física e a dor emocional de parir. O parto é um evento intenso, é preciso preparar corpo e alma para viver a experiência de forma completa. A dor do parto é um fato. E as diferentes formas de alívio desta dor fisiológica também o são. É preciso conhecer as possibilidades para poder escolher como aliviar a dor e não escolher uma cesárea para fugir dela. Doce engando dizer que cesárea não dói. Não dói na hora, mas dói depois. É uma cirurgia de grande porte e a mulher ainda tem um bebê recém- nascido pra cuidar…

A mulher que se informa sobre o parto, não aceita a argumentação de que a cesárea é mais segura, porque ela sabe que a cesárea traz mais riscos para a mãe e para o bebê. A mulher que se informa não aceita datas limite para o nascimento de seu filho, porque ela sabe que a criança tem seu tempo e que 42 semanas é o limite que quase nenhuma delas alcança, pois os bebês nascem antes. E mesmo que chegue lá, a solução seria a indução do trabalho de parto.

A mulher que se informa não aceita uma cesárea com 39 semanas, porque ela sabe que o que conta é o bem-estar fetal. Se o bebê está bem, então tudo está bem. A mulher que se informa não aceita um parto onde a vontade do médico é que vale, não aceita comandos, nem privações, não aceita cesáreas mal indicadas durante o trabalho de parto e não expõe seu bebê a intervenções desnecessárias.

A mulher que se informa sabe que ela não é melhor que ninguém porque escolheu parir naturalmente. Mas ela sabe também que entre as escolhas que ela pode fazer pensando exclusivamente no bem-estar do seu bebê, a cesárea não é uma opção.

Escolher o bom parto é uma excelente forma de iniciar a relação com um filho. O parto é transformador, fortalece a mulher, dá a ela condições de cuidar do seu bebê e formar vínculo com ele desde o primeiro minuto de vida, seja através do contato pele a pele ou através da amamentação imediata.

Informação é poder. E ela está disponível na internet, em livros de qualidade, em grupos de apoio ao parto espalhados pelo país (GAPPs). Só não tem acesso à informação quem não quer.

Ana Maria não quis a informação da primeira vez. Mas com o desenrolar da nossa conversa, na feirinha do mercado, deu pra sentir nas palavras dela o quanto ela lamentou não se aprofundar no assunto. Ela vai engravidar outra vez e aí eu espero ter a chance de falar das maravilhas do parto normal ativo e empoderador. O parto é possível pra ela, mesmo com uma cesárea anterior. Mais um mito desfeito.

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