Parto normal depois de cesárea ou "VBAC"

Nossa, quando li o título da matéria fiquei feliz, mas o conteúdo… quanta desinformação!

Pra quem quiser ler direto no site da crescer, o link é esse aqui.

O médico entrevistado é o Dr AJ (Antonio Júlio). Cheguei a me consultar com ele quando estava grávida, ele faz partos naturais, mas depende da lua (hehehe!). É, porque ele faz muitos partos normais, muitos naturais, poucas cesáreas, a maioria das cesáreas que ele faz são necessárias (mas escapa umas sem a menor indicação e explicação), por isso digo que ele é “de lua”! Acho que ele faz uns 70% de partos normais contra uns 30% de cesáreas… Mas com ele é bom ter uma doula experiente e safa!
Recentemente ele fez parto natural de gêmeos. Ah, sim, ele também me indicou a Vilma Nishi!!!!

Ele era minha opção pois é o único médico que faz parto natural pelo convênio!
Mas na época da data “imprevista” para o meu parto ele estaria viajando… mas como a Laura nasceu 12 dias depois da DPP (ou DIP!!!) daria tempo, sorte minha que optei pelo domiciliar!!!

Por isso acho estranho ele ter dito essas abobrinhas sobre VBAC (vaginal birth after cesarean).

Ruptura uterina 
Sim, existe o tal risco da ruptura uterina. Existe. Mas ele é tão pequeno, mas tão pequeno, que não sei se vale a pena arriscar uma cesárea por isso. Se não me engano é de 0,2 a 0,5%, e pode acontecer em mulheres que nunca fizeram cesárea. E nessa estatística estão também aqueles casos que a cicatriz rompe mas o útero não, acho que chama deiscência (preciso pesquisar melhor…)
Por isso que não no caso de VBAC não deve haver indução, não deve haver uso de ocitocina (se houver o acopanhamento deve ser criterioso com cardiotocografia e outros), e não é recomendável analgesia, pois pode mascarar os sintomas da ruptura (contração dói, mas não é nada demais; acredito que um órgão rompendo deve ser uma dor beeeem diferente).

Tenho dó de gente que não busca uma segunda opinião… acho uma falta de confiança em si mesma e no próprio corpo. Não consigo acreditar como uma mulher pode entregar o próprio corpo a outra pessoa, como pode deixar de protagonizar o momento mais importante da sua vida (ainda mais uma, duas vezes, até mais!), sem questionar, sem buscar… quer dizer, eu até sei como. Falta empoderamento. Se a mulher não é empoderada, não adianta. Ela vai aceitar tudo o que disserem a ela.

A Vilma Nishi (parteira – enfermeira obstetriz que fez meu parto) costuma dizer que “a mulher pari (ou não, por que CESÁREA NÃO ´PARTO!) como vive”.

Isso ilustra bem a questão do empoderamento.
Se ela acredita que é capaz, ela vai parir, por que ela é capaz. Se ela acredita que seu corpo funciona, ele vai funcionar. Se ela delega tudo, ela vai delegar o parto. Se na vida ela busca, ela luta, ela vai lutar pelo parir.
No site das Amigas do Parto, da Parto do Princípio, da Maternidade Ativa tem vários relatos de parto, separados inclusive por VBAC, HBAC (home birth after cesarean). Se interessar vale dar uma olhada!

Mas posso citar a Rosana Oshiro, que teve um HBA2C (home birth after 2 cesareans), com a Vilma inclusive! E o quarto filho dela nasceu no Japão, em casa, no que chamamos de PDU, que significa parto domiciliar “unassisted” (sem assistência profissional).
A Pérola, que teve um VBAC “longa metragem” (era pra ser PD, mas após umas 40 horas de trabalho de parto em casa ela precisou ser transferida pro hospital, e demorou mais umas 10 horas pra Beatriz nascer! Mas nasceu!).
(Estou citando por que o relato delas está publicado na internet)
E tantas outras! Acho que só uma mulher muito conformada pode não querer parir. Ou com muito medo de viver.
Mas se caiu no conto uma vez, a auto estima cai bastante, na segunda, já não existe. Por isso que são poucas as que tem uma VBA3C. Sim, eu conheço uma que teve parto natural após 3 cesáreas. Ela é mais do que empoderada. Sem comentários!

Bacia estreita
É pra rir? É piada, né? Só pode ser!
Genteeeemmm, Gisele Bündchen, com aquele quadrilzinho, pariu! Nos hospitais públicos mulheres de todos os tipos físicos, magrinhas, pequenas, baixas, dão à luz todos os dias!
Tá, é a tal “desproporção céfalo-pélvica” (DCP), mas concordam comigo que e o tipo de coisa que só dá pra descobrir depois de algumas horas de trabalho de parto?
A menos, é claro, que seu médico tenha bola de cristal, mas aí, se alguém acreditar é outra história…

Bebê grande (com mais de 3,5 kg)
Ai gente, é de chorar de rir!
Ok, casos como o Arthur da Teca (que nasceu com 4,600 kg, em casa com parteira, inclusive no mesmo dia que a minha bebéia – sorte que era outra parteira!) são exceções, mas é um absurdo dizerem isso!
Desde que o mundo é mundo, bebês nascem pelo mesmo lugar que entraram, mas agora qualquer coisa é impedimento!

Bebê que não encaixa
É o mesmo caso do “eu não tive dilatação”, “eu não entrei em trabalho de parto”.
Tem duas explicações pra isso: o médico não esperou tempo suficiente. Não estava a fim de perder horas, ou a tarde, a noite, a madrugada, o fim de semana, o feriado, o carnaval, o natal, o aniversário do filho. As exceções são raríssimas. Mesmo. Então sinto muito se você sofreu uma cesárea por isso. A verdade dói, mas é isso mesmo.
A outra é: não era trabalho de parto. Tá, você estava com dilatação, até tinha contrações e parou. Eram “pródromos”, não era trabalho de parto. Sinto muito, mas você caiu no conto da cesárea!
Ah, lembrei de outra, eu li vários relatos na internet assim, que dó!
A gestante com 38 (ou 36, 37, 39, 40…) semanas de gestação, após um exame de toque (que o médico faz toda consulta, que absurdo!) nenhum sinal de dilatação, colo grosso, o médico sentenci: “você não vai entrar em trabalho de parto, é melhor marcar a cesárea”. E elas acreditam!!! Gente, pra dilatar os 10 centímetros precisa estar realmente em trabalho de parto!

Desculpa, mas eu cheguei às 41 semanas e 4 dias sem nada de dilatação. Quando entrei em TP (umas 12 horas após o único toque feito até então) dilatei em menos de 10 horas. E conheço mais umas 100 mulheres que contam o mesmo que eu.

Se o parto anterior foi induzido
Muito provavelmente (acho que 99% dos casos) foi induzido pelo motivo acima. O médico induziu por que não queria esperar. Sorry.

Mas é claro, isso é pra quem quer de verdade, por que está  cheio de mulher por aí que diz que quer, mas não vê a hora do médico falar que não dá, seja qual for a desculpa, pra ela poder tirar dela a responsabilidade e jogar nas costas de outra pessoa. Assim ela não precisa falar que preferiu a cesárea, fala que precisou. E ainda chama de parto. Senão fosse assim, o Braisl não seria campeão de cesárea, principalmente na rede privada.

Quer saber mais sobre VBAC? Clique aqui.

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