Não furei a orelhinha! Não mesmo!

Muita gente me pergunta o por quê de eu não ter furado as orelhinas da minha filhota.
Ela ganhou vários pares de brinquinhos, desde os mais simples até jóias. E estão todos guardados.

Bom, esse assunto dá pano pra manga, porque o negócio começa lá atras, na gravidez, quando eu comecei a pesquisar sobre partos, humanização e respeito no nascimento, e descobri todas as intervenções que os bebês sofrem na maternidade.
A maioria das pessoas nem sequer procuram saber o que é feito com um bebê logo que ele nasce, ainda na sala de parto ou no centro cirúrgico (sim, porque cesárea não é parto, é cirurgia), alguns ficam horrorizados ao verem seus filhinhos sendo aspirados, furados, esfregados, apertados, outros (esses, infelizmente, são a maioria, e são os que me deixam chocada) nem se importam.

Por essas e outras eu decidi ter minha filha em casa, mas caso fosse necessário ser tranferida para um hospital, tinha um pediatra humanizado “na manga” para preservar minha pequena das intervenções desnecessárias e horríveis.

De qualquer forma, eu garanti que ela não sofresse intervenções, para que a transição de sua vida “intra-uterina” pra sua vida aqui fora fosse o mais suave possível: esperei o tempo dela sem nada de indução (nem descolamento de membranas, nem acupuntura, nem homeopatia, só os hots), pari naturalmente, sem drogas, pra que ela não recebesse essas toxinas pelo sangue; quando nasceu, apesar de ser meio dia, o quartonão estava muito claro; esperei que o cordão umbilical parasse de pulsar (e mais um pouco) pra cortá-lo; não foi medida ou pesada imediatamente, apenas no dia seguinte, assim como o primeiro banho, foi só no outro dia; não dei injeções, vitamina K, nitrato de prata, vacinas, nada! Tudo pra preservar sua integridade e seu bem-estar.

Agora, se eu fiz tudo pensando nela, por que eu iria furar as orelhas dela, sendo que não havia necessidade?

É bonito? Sim, acho bonito, eu mesma tenho orelhas furadas, mas lembro que quando furei tinha uns 4 ou 5 anos, e pedi muito pra minha mãe deixar eu furar, porque eu também queria usar brincos como ela e minhas irmãs, até que ela deixou.
Lembro que era um domingo, dia de feira onde eu morava, e nós fomos a uma farmácia, escolhi um brinquinho dourado em formato de “x” (ou “+”) com uma pedrinha imitação de brilhante no meio. E doeu muito, mas eu queria tanto que não me importei!
Mas, vaidade ou não, imitação das mulheres que conhecia ou não, eu escolhi (e insisti muito!) e estava consciente da minha “escolha”.

Brincos, assim como roupas, são práticas culturais de cada sociedade. Na nossa sociedade é quase que uma convenção colocar brincos nas meninas quando nascem.
Principalmente mães de meninos que querem ter meninas e não assumem (prontofalei!), quando tem uma menina, a primeira coisa é furar a orelha da criança (além de encher de frufrus, mas isso já é pessoal!).

De qualquer forma, tanto eu quanto meu marido chegamos a um acordo, de preservá-la, de poupá-la quanto a intervenções, e de ensinar a essa menininha que não precisa consumir ou se encher de apetrechos, ou mesmo de seguir todas as convenções sociais para ser e se sentir feminina, por que isso ela já é, e será quando tiver idade pra isso, e queremos que ela sinta que pode ser tudo o que ela quiser, sem se submeter aos homens.

(é, estou criando uma mulher empoderada! a minha já nasceu assim! fase 1 da minha missão: cumprida – mas é 1 de 1.000.000.000!!!!)

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Uma resposta a Não furei a orelhinha! Não mesmo!

  1. Liu Paim diz:

    huahauahau… tb não furei a orelha da liv. e juntando o fato dela usar roupas herdadas do irmão, imagina o q eu escuto na rua!!!!

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