Parto Anormal!!! Esse eu não quero!

Não pude deixar de repassar!

Estava pensando, discutindo sobre o parto natural, parto humanizado, de como eu (eu, bem entendido) acho um absurdo uma mulher nem cogitar tentar o parto normal, marcar uma cesárea, nem pensar no filho, não pensar em nada, mas pensando bem com meus botões, entre ter um parto “frank” (de frankenstein mesmo, de monstruoso) e uma cesárea eletiva, acho que eu preferiria uma cesárea fria, distante, arriscada, mas pelo menos eu não seria desrespeitada.

Inspirada por este post da Ártemis escrevi o meu.

Explico melhor:

Eu defendo o tipo de parto que tive.
Eu desejo e espero que um dia todas as mulheres (ou a maioria delas) tenham direito de ter um pouquinho do que tive.
Li muito, me informei, aprendi, li e ouvi relatos de outras mulheres, sabia o que poderia acontecer com meu corpo, como ele reagiria ao trabalho de parto, sabia de algumas possibilidades, de como é com a maioria das mulheres que dão à luz a seus filhos sem intervenções.
Pude ver partos naturais (no youtube, Thanks God!), sabia que comigo seria diferente, que cada parto é único, mas sabia que a chance de sentir muita dor era grande (e senti! poucas mulheres não sentem dor, mas acontece também), mas também sabia que é natural, que é uma dor boa, que ninguém morre da dor do parto (isso minha mãe dizia!), e que assim que nascesse, seria como se “tirassem a dor com a mão” (coisa de vó).

Eu pude viver todo esse processo no aconchego do meu lar, sem pressão, sem repressão aos meus gemidos.
Pude tirar minha roupa quando senti vontade e na frente de pessoas que já tinham me visto pelada (tenho vergonha, é um direito meu!), pus as músicas que escolhi, rebolei, gemi, chorei, suei, fiz cocô no meu banheiro, sem pessoas estranhas me inibindo.

Quando sentia dores mentalizava meu corpo se abrindo, meu corpo trabalhando do jeito que foi projetado pra fazer na hora certa. Sabia que era hora da minha filha nascer e que seria bom pra ela. Meu próprio corpo se encarregou de gerar e de fazê-la nascer na hora certa, sem hormônios sintéticos, sem “sorinho” na veia (tenho pavor a soro!).

Nas contrações recebi massagem, compressas de água quente, pude ficar na banheira com meu amado segurando minha mão num silêncio cúmplice de um homem que também nunca havia passado por isso, mas que partilhava comigo daquele trabalho, que se unia à minha alma e sabia que apenas sua presença já me acalentava, me tranquilizava e me dava forças para continuar, chegar até o fim.

Contei com o apoio da minha mãe, que dizia baixinho que “todas as mulheres já tinham passado por isso, inclusive ela, e eu ia conseguir também”, e que segurou forte minha mão (como se lembrasse das vezes que sentiu aquilo) no momento que eu achei que não ia suportar, achava que ia “partir ao meio”.

Estava também com uma de minhas irmãs, que ainda não tem filhos, mas que, depois de fotografar o nascimento da minha pequena decidiu que um dia dará a luz em casa, “unassisted” (sem assistência), e da minha sogra, que teve dois partos “frank”, mas mais respeitosos do que se vê hoje.

Pude receber minha cria em meu seio, alimentá-la com meu leite, cheirá-la, olhar em sua alma, no fundo dos seus olhinhos, sentir aquele corpinho e reconhecer seus movimentos.
Minha família recebeu aquele novo ser com amor e carinho, e ela não foi separada de mim em nenhum momento, não recebeu colírio de nitrato de prata em seu olhinhos, não foi lavada e esfregada, não foi aspirada, não foi esticada bruscamente para medição, não recebeu vitamina K, nem vacinas, nem injeções, nem teve seu cortão cortado precocemente. Mamou ainda ligada à placenta; sua adaptação à vida extra-uterina foi suave.

Desejo que as mulheres tenham direito a parir em paz, a chorar, gemer, a suar, e que as pessoas que prestam assistência a partos nunca digam “mãezinha, você grita agora mas daqui há um ano estará aqui de novo”.

Desejo que os bebês sejam tratados com o mesmo amor com que suas mães os aguardam.

Desejo que a obstetrícia reconheça e aprenda a respeitar as mulheres no momento mais importante de suas vidas, e intervenha cada vez menos.

Espero que um dia as mulheres recuperem a fé em seus corpos, acreditem e entendam que parir é um momento mágico, único, que não faz de ninguém mais ou menos mãe que outra mulher, mas que com certeza, um PARTO RESPEITOSO muda a maneira de ver o mundo, de enfrentar a vida.

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2 respostas a Parto Anormal!!! Esse eu não quero!

  1. Marilyn diz:

    Cath, eu tive um parto normal tipo "frank", mas antes dele tive uma cesária eletiva… posso te falar????????????? O frank é bem melhor!!!!!! Eu faria outro com toda a certeza se precisasse, mas se eu engravidar novamente vai ser mais humano, pelo – espero.

  2. Ártemis diz:

    Meu post foi super bem aceito. ;)Fico muito feliz. Meu mais velho tem 4 anos e meio e veja, só agora consegui exprimir mais ou menos o que passei. É meio cruel, mas… serviu de algo. E afinal, eu ainda teria decidido meu frank a uma cesárea, por pior que tenha sido a violência, eu ainda fui capaz de parir, e sentir meu corpo. É até interessante. Mesmo com tanta violência, ainda tem aquela beleza.

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