Reportagem: Capacitação depois de mais de 5 mil partos

Capacitação depois de mais de 5 mil partos

Foram mais de cinco mil crianças que ela ajudou a colocar no mundo desde quando aprendeu o ofício de parteira, há 42 anos, “espiando” pelas frestas das paredes de palha o nascimento de vários bebês. “Minha mãe era parteira, ela não me deixava entrar, mas eu ficava olhando pelo buraco da parede”. E
foi a partir do que aprendeu olhando que Maria Moreira Correa, de 79 anos, realizou o ser primeiro parto, ainda no município de Breves, na ilha do Marajó.

Depois que se casou, Maria Velha, como é conhecida, se mudou para o interior de Breves, onde nem hospital havia. “Um dia, uma senhora grávida estava passando mal e a parteira estava demorando a chegar, eu já estava vendo o pezinho do neném e então decidi em fazer o parto, senão a criança ou a mãe morreriam”, relembra ela, que diz já ter feitos até três partos por dia.

Depois de aproximadamente 20 anos fazendo partos nas residências das pacientes e já morando em Portel, também no Marajó, a simpática senhora, de cabelos brancos e pouca estatura, foi trabalhar no Hospital da cidade, convidada por uma médica. “Antes, os médicos e enfermeiros não gostavam de
parteiras, achavam que era coisa do interior e que a gente não sabia de nada, mas um dia eu fiz o parto de uma mulher porque não havia médico e me chamaram para trabalhar no hospital”.

Com tantos anos de experiência, somente esse ano Maria Velha participou de um curso de capacitação. Em Belém, durante toda essa semana, ela está tendo aulas práticas na Fundação Santa Casa de Misericórdia nos setores de neonatologia e obstetrícia. Chamado de Educação Continuada em Saúde com Ênfase em Neonatologia e Atendimento à Gestante, o projeto visa capacitar profissionais do interior do Estado para lidar com situações de emergências na gravidez ou no parto.

O gerente do setor de Obstetrícia da Santa Casa, Antônio Sérgio Silva Carvalho, conta que aproximadamente 3 mil pessoas passam pelo setor de triagem do hospital diariamente, sendo que, desse total, 55% é uma demanda do interior, o que inclui a Região Metropolitana de Belém. Porém, ele diz que muitas vezes a grande demanda não é por causa da falta de estruturação, mas de capacitação dos profissionais. “Nós recebemos casos aqui que poderiam facilmente ser resolvidos na cidade de origem da paciente, mas não há investimentos nessa área”, afirma. (Diário do Pará)

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